quarta-feira, 31 de julho de 2019

Baixa estatura.

É muito importante investigar a baixa estatura pelo impacto psicológico e social que acarreta e
também pelo fato de a diminuição da velocidade de crescimento da criança ser um dos primeiros
sinais de diversas doenças.
Para isto dispomos de gráficos e tabelas de peso e estatura e velocidade de crescimento com os
valores esperados para cada fase do desenvolvimento de meninos e meninas. O primeiro objetivo
do médico é identificar se realmente há baixa estatura ou atraso do desenvolvimento. Em casos
de desaceleração da velocidade do crescimento a investigação também se faz necessária mesmo
que a estatura esteja dentro da faixa da normalidade.
O valor considerado normal para a velocidade de crescimento varia de acordo com a idade. No 1º
ano de vida, a criança ganha em média 25 cm por ano e 12 cm no 2º ano. A partir dos 2 anos até
o início da puberdade, o ganho médio é de 4 a 6 cm por ano e durante o estirão de crescimento
da puberdade é de cerca de 12 cm ao ano. As meninas iniciam o estirão da puberdade em idade
mais precoce que os meninos, mas também atingem a estatura final mais cedo e tem estatura
final cerca de 6 a 10 cm mais baixa do que os meninos. Após a primeira menstruação, as
meninas ainda crescem em média cerca de 4 a 6 cm.
Fatores que influenciam no crescimento
Diversos fatores podem influenciar no crescimento, sendo os principais: genéticos, hormonais,
nutricionais, psico-sociais, presença de doenças sistêmicas e uso de medicamentos (corticóides
orais por exemplo.).
Dentre os hormônios, os mais relevantes são o próprio hormônio de crescimento (GH) e outros
hormônios relacionados a ele (IGF-1 e IGFBP-3), relacionados à tireóide (TSH, T3,T4), à adrenal
(cortisol), e aos puberais (LH, FSH, estradiol, testosterona). Alguna atuam estimulando e outros
inibindo o crescimento e o grau de importância de cada um deles varia de acordo com a faixa
etária.
As principais causas hormonais de baixa estatura são: hipotireoidismo, deficiência do hormônio
de crescimento, Cushing (excesso de cortisol, proveniente do próprio organismo ou decorrente
da ingestão de medicação) e puberdade precoce não tratada.
Outras causas são alterações ósseas, doenças sistêmicas graves como cardiopatias, doenças
renais, hepatopatias, pulmonares (asma) e intestinais.
Um dos fatores mais decisivos na baixa estatura é o aspecto genético. A estatura do individuo
depende da carga genética e de forma especial é influenciada pela estatura dos pais. Mesmo em
famílias com média de estatura mais alta , se os pais são pequenos a estatura dos filhos tenderá
a ficar mais baixa.
Existe uma fórmula prática para se calcular a estatura alvo, ou seja a estatura esperada para o
individuo.
Meninos=> estatura do pai +estatura da mãe+ 13 ÷ 2 = estatura alvo
Meninas=> estatura do pai +estatura da mãe-13 ÷2 = estatura alvo
Outro fator importante é a história pré-natal; crianças que nascem com estatura e peso abaixo do
esperado para o tempo de nascimento, independente de serem prematuras, tendem a ter uma
estatura final mais baixa.do que a esperada pela genética. Apesar de 70% destas crianças
conseguirem normalizar a estatura até os dois anos de idade, as 30% restantes precisarão de
tratamento para normalizar a estatura.
Dentre as causa genéticas de baixa estatura estão doenças raras como as Síndromes de Turner,
Leri-Weil, Laron, Silver-Russel, Noonan, Mc Cune Albright. E nestes casos a identificação da
sindrome é fundamental para prevenção de complicações decorrentes da doença.
Porém existem crianças que são portadoras de atraso constitucional de desenvolvimento e
crescimento. São crianças aparentemente saudáveis que começam apresentar diminuição da
velocidade de crescimento após os 5 anos de idade, ficando assim com altura abaixo da
esperada para a idade. Estas crianças tem um crescimento mais lentificado porém a estatura final
depois de adulto não será comprometida! São crianças que recuperam este atraso tardiamente e
não necessitam tratamento hormonal. Nestes casos normalmente outros membros da família
também costumam ter o mesmo padrão de desenvolvimento.
Como se investigar o atraso de crescimento?
Através de uma boa história clínica e familiar, exame físico, avaliação da idade óssea que é feito
por um raio X das mãos e punhos, exames hormonais e outros dependendo dos dados colhidos
na entrevista.
O exame físico avaliará vários parametros e os dados obtidos são colocados nos gráficos e
tabelas. Não adianta apenas valores de uma avaliação, é necessário colocar estes dados em um
gráfico para avaliar a velocidade do crescimento.
Muitas vezes tornam-se necessários exames mais refinados para se descartar síndromes
genéticas.
Tratamento
O tratamento quando indicado irá depender da causa encontrada; reposição hormonal, correção
dos deficits nutricionais, tratamento específico das doenças crônicas, eventual suspensão de
medicamentos envolvidos no atraso de crescimento (sempre sob supervisão médica).
No caso de atraso constitucional não há indicação de tratamento uma vez que ao chegar à vida
adulta a estatura não será afetada.
A reposição de hormonio de crescimento está indicada apenas em casos de comprovada
deficiência do hormõnio . PPacientes com baixa estatura porém sem déficit do hormônio de
crescimento o bnefício da reposição de GH é muito discutível, e a melhora da estatura final
esperada é muito discreta.
O TRATAMENTO COM GH TEM CUSTO ELEVADO E APRESENTA EFEITOS ADVERSOS E
COMPLICAÇÕES, ISTO DEVE SER LEMBRADO SEMPRE NA HORA DE SE INDICAR O
TRATAMENTO.
No Brasil o Ministério da Saúde aprova o uso de GH pelo SUS para deficiência de GH
comprovada ( pelo menos dois testes de estimulo) e a Síndrome de Turner. O FDA (órgão
americano que regula alimentos e medicamentos) aprova o uso do medicamento além das duas
indicações, nos pacientes nascidos pequenos para a idade que não recuperaram a estatura até
os 2 anos de idade e pacientes com baixa estatura idiopática acentuada e com previsão de
estatura final muito indesejável.
Outros medicamentos também podem ser utilizados na dependência da causa.
Referência:
Dra. Michelle de Sousa M. Vidinha
CREMESP 109050
Fonte do artigo:Pediatra Online (www.pediatraonline.com.br)

Autor: Zuleid Dantas Linhares Mattar

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