quarta-feira, 28 de agosto de 2019

A arte de contar histórias para crianças com dicas práticas

Contar histórias é sem dúvida uma das formas de comunicação mais antigas que existem. Apesar
do avanço das tecnologias, contar histórias continua sendo uma das formas mais eficientes de
promover à aprendizagem, a reflexão, a descoberta e também de conectar as pessoas.
Especialistas garantem que essa arte pode se iniciar durante a gestação, pois além de acalmar a
gestante, o feto já é capaz de ouvir e perceber pela audição (que já está apta a partir do quinto
mês de vida intra uterina) a entonação da mãe, a cadência das palavras e o ritmo que ela fala.
Através dos sons das palavras, circuitos neurais são construídos. Hoje sabemos que a
aprendizagem começa antes mesmo de nascermos.
Cada faixa etária necessita de estratégias para captar a atenção e motivar a criança em participar
da história. Seguem algumas dicas:
A história exige concentração, portanto procure um lugar acolhedor e silencioso para que a
criança possa estar voltada ao que você for apresentar. Desligue o celular e dedique este
tempo exclusivo para seu filho. Observe também os melhores horários para contar história para
seu filho. Depois do jantar, no final da tarde, na hora de dormir...teste e observe quais os
momentos melhores para a contação de histórias.
Com bebês até 8 meses, utilize livros resistentes, livros de banho e procure criar um texto de
acordo com as figuras que aparecem no livro. Ex: Olhe o gatinho. Ele está na caixa. Vamos
fazer carinho no gatinho? O gatinho faz: MIAU. Cante canções dos personagens que aparecem
também. Ex: Borboletinha está na cozinha (canção folclórica) quando aparecer uma
borboletinha
A partir dos 8 meses, a criança provavelmente já senta sem apoio, já está refinando sua
coordenação e ,suas emoções também estão mais evidentes. Livros com texturas são muito
interessantes nesta idade, porém os textos devem ser bem curtinhos, com objetos e fatos que
pertençam ao cotidiano da criança. Animais estão entre os temas prediletos. Retrate o
ambiente sonoro da cena. Você pode imitar os sons dos personagens, cantar uma música que
represente a cena, representar cada personagem através de um instrumento musical, enfim,
use sua criatividade! De forma gradual, através destas atividades, serão estabelecidas as
conexões cerebrais que relacionam as palavras com o objeto, desenvolvendo a imaginação,
memória, além de introduzi-lo no convívio social. A criança nesta fase, ainda não entende a
muito bem a estrutura de seqüência. Procure dar ênfase na leitura das imagens, porém
contando a história de forma sucinta com começo, meio e fim.
A partir dos 2 anos, as histórias continuam curtas, porém podemos dar mais ênfase a
seqüencia dos fatos, pois nesta faixa etária, as crianças começam a demonstrar mais
concentração. Utilize figuras grandes com textos pequenos e traga histórias que trabalhem
situações que a criança possa estar vivenciando (o desfralde, por exemplo). Converse com ele
durante a história e pergunte o que ele acha que vai acontecer. Faça algumas pausas.
Capriche na expressão facial. Criança adora surpresa e suspense.
A partir dos 3 anos e até um pouco antes disso, a criança já apresenta o interesse pelas
brincadeiras de faz-de–conta e demonstra a capacidade de representar coisas ou situações
não presentes. A criança naturalmente começa a imitar ações rotineiras, depois ações de
pessoas próximas, e através destas brincadeiras, os pequenos expõem seus sentimentos,
frustrações e vontades. É interessante notar como a evolução das histórias, da brincadeira e da
linguagem caminham juntas. Uma auxilia no desenvolvimento da outra.
As famílias podem trazer bonecos, objetos, elementos diversos para dramatizar histórias como a “
Linda Rosa Juvenil”, por exemplo. Depois, a criança pode dramatizar com os fantoches para os
adultos. Dramatizando, a criança se expressa com a linguagem verbal, gestual e facial, tornando
a atividade mais complexa e desafiadora, além de iniciar a aprendizagem de normas sociais, pois
é necessário esperar sua vez para interagir conforme a história vai acontecendo. Enfim, existem
muitas possibilidades para estimular o desenvolvimento de seu filho de uma forma divertida. É
necessário, porém, disposição, muita pesquisa, paciência e organização para o preparo das
atividades.
A partir desta fase, é importante também que o adulto compartilhe com a criança, fatos que
vivenciou compartilhar experiências e deixar que a criança também conte suas próprias
histórias. Ouvir ativamente, respeitando o tempo do outro, cria laços afetivos profundos. Nossa
história também é uma narrativa e é muito importante este dialogo entre pais e filhos. Relate
suas experiências com o objetivo de estabelecer vínculos pessoais. Conte-a com afeto e
coloque seu coração nela. Conte uma história em vez de apenas descrever fatos. Dessa forma,
você poderá transmitir seu ponto de vista de uma forma muito mais impactante para a criança.
Conforme a criança for crescendo procure incentivá-la a contar e ler histórias pra você e
diversifique os temas dos livros, deixe que ela escolha também (de acordo com sua orientação)
para que ela possa ampliar seu vocabulário e no futuro tenha maior compreensão para o
entendimento nas diversas áreas de conhecimento. Ensine-a também a cuidar do livro e tratá-lo
com respeito.
Outros recursos importantes:
Quanto menor é a criança, mais importantes são os recursos visuais, sejam fantoches,
dedoches, bichinhos de pelúcia, etc. A criança bem pequena, ainda está construindo seu
repertório de imagens. Por serem concretos, estes objetos promovem uma maior interação da
criança com a história proposta.
Caixas surpresas com os objetos que aparecem na história são muito interessantes e criam
momentos de suspense e mais emoção à história, contribuindo também para que a criança
memorize a seqüência dos fatos da narrativa.
Conte histórias que você goste que te faça se sentir confortável e entusiasmado. Escolha
narrativas na qual você se identifique de alguma forma.
Não se esqueça da expressão gestual. Já dizia o famoso historiador e antropólogo Luis da
Câmara Cascudo: “Com as mãos amarradas não há criatura vivente para contar uma história”.
Seja expressivo tanto nos gestos, quanto na sua expressão vocal ao contar histórias para as
crianças. Tente imaginar a situação, como é a vida e o sentimento deste personagem e
dramatize, para que a criança se envolva, possa entender e a narrativa faça ainda mais sentido.
Os benefícios para a criança que tem o privilégio de ter pais contadores de histórias são muitos.
Momentos de afetividade, desenvolvimento na inteligência emocional e cognitiva da criança,
ampliação de vocabulário e imaginação, etc. Histórias ficam na memória e quando mexem com
nossa emoção (seja positiva ou negativa), jamais são esquecidas.
Que tal transformar a partir de hoje o momento da história, em uma rotina na sua família?
Assim, seu filho associará o prazer da sua companhia ao prazer de ler e ouvir histórias e
certamente aumentará seu interesse pelos livros e pela leitura também, o que é maravilhoso, pois
quanto mais lemos, mais recebemos conhecimento. Certamente, fortes laços familiares serão
criados e fortalecidos em meio a um ambiente de afeto, deixando memórias positivas e preciosas
entre vocês. O universo é feito de histórias. Conte uma boa história!!!

Autor: Zuleid Dantas Linhares Mattar
Fonte do artigo:Pediatra Online (www.pediatraonline.com.br)

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