Alimentar o bebê não significa apenas
dar-lhe comida, mas aproximar-se afetivamente dele, para que mãe e filho possam
se deleitar com as repercussões físicas, mentais e emocionais que envolvem o
momento da amamentação.
O papel do Pediatra no apoio e incentivo à
amamentação é fundamental para seu sucesso. Naturalmente, a personalidade do
pediatra e sua história de vida, entre muitos outros fatores, influenciam seus
relacionamentos, assim como sua atuação como profissional. Desse modo, sua
postura no atendimento aos seus pacientes tem como pano de fundo não apenas a
formação acadêmica, mas também sua sensibilidade e sua conduta ética para com
seus pacientes.
O aconselhamento em amamentação é mais do
que uma consulta tradicional, pois permite que as mães sintam o interesse do
profissional, que contribuirá para que adquiram confiança e passem a se sentir
apoiadas e acolhidas. Faz parte desse aconselhamento:
- Usar
linguagem acessível e simples;
- Fazer
sugestões em vez de dar ordens;
- Conversar
com as mães sobre as suas condições biopsicossociais e sobre seu relacionamento
com o pai. Em muitos casos, as mães não contam com o amparo e convívio do pai.
Sabemos que o stress e a tristeza interferem em muito na produção e no
esvaziamento das mamas, podendo dificultar seu vínculo com o bebê.
É importante ressaltar que a prolactina é
o hormônio responsável pela produção de leite e tem seus níveis regulados pelo
estímulo da sucção do complexo mamilo – areolar, através da pega adequada e freqüência
das mamadas. No entanto, a ocitocina é o hormônio responsável pela ejeção de
leite, sendo influenciada por fatores emocionais maternos: aumenta em situações
de autoconfiança e diminui em momentos de ansiedade e insegurança. Desse modo,
é fundamental que o pediatra dê apoio, oriente e proponha soluções para as
dificuldades.
A opção pelo aleitamento materno não é tão
simples como parece, e a mãe precisa de apoio para prosseguir nessa
decisão. A opinião e o incentivo dos que a cercam, sobretudo do marido ou
companheiro, assim como dos avós da criança, são de extrema importância. Os maridos, freqüentemente não sabem de
que maneira podem apoiar suas esposas, normalmente por falta de informação.
Após o nascimento de um filho, alguns sentimentos negativos comumente
apresentados pelos pais poderiam ser evitados se estes estivessem cientes da
importância de seu papel, que não se resume apenas no cuidado com o bebê, mas
também no cuidado com a mãe.
A figura da avó é bastante presente na
cultura brasileira, mesmo em populações urbanas. Elas costumam exercer grande
influência sobre as mães, o que pode favorecer ou dificultar a amamentação.
Muitas avós transmitem aos seus filhos ou noras suas experiências com
amamentação, que em muitos casos, são contrárias as recomendações atuais das
práticas alimentares infantis. O uso, por exemplo, de água, chá e outros leites
nos primeiros 6 meses. Por isso é importante incluir os avós no aconselhamento
em amamentação.
As sociedades científicas internacionais e
nacionais (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomendam que o leite de vaca
integral (fórmula líquida ou em pó) não devem ser oferecidas para crianças
abaixo de 1 ano de idade, pelo seu baixo conteúdo de ferro e excesso de
proteína.
Na impossibilidade do aleitamento materno,
oferecer no 1º ano de vida somente fórmulas infantis, que atendem às
necessidades nutricionais da criança nessa fase. É Importante lembrar que
as crianças amamentadas, podem apresentar um crescimento inferior ao das
crianças alimentadas com leite industrializado entre os 3 e 9 meses, no
entanto, isso não representa desvantagem.
Amamentação não combina com stress.
Tranqüilidade, cada vez mais escassa na vida moderna, continua sendo um
importante fator para o sucesso da amamentação. Este é um processo de
aprendizagem, tal qual andar e falar. Para seu sucesso, devemos atender a mãe e
a criança repetidas vezes, o que exige verdadeiro empenho, paciência e
capacidade de acolhimento do pediatra. Comumente a aflição advém da mãe, que
tem o sentimento que o bebê tem uma rejeição à figura da mãe e não ao alimento.
Por fim, poder acompanhar mãe e filho na
incrível jornada da vida é um grande diferencial do pediatra para a promoção da
saúde física e emocional da dupla e da família. Não se deve esquecer que,
diante da dificuldade com os filhos, as mães se sentem sempre culpadas e
precisam do cuidado e do amparo profissional.
Com a ajuda do médico, aumentam as chances
de adquirir desde cedo hábitos alimentares saudáveis, que repercutirão
futuramente na saúde da população como um todo.
Autor: Zuleid Dantas Linhares Mattar
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