terça-feira, 12 de novembro de 2019


Quando pode-se dizer que a dor é do crescimento?

Dor do crescimento são dores em ambas as pernas das crianças, em geral em panturrilhas e
coxas e que ocorrem habitualmente no final do dia ou à noite podendo acordar a criança pela dor.
Apesar de preocupantes, estas dores não são associadas a doenças e possuem características
benignas.
Apesar do nome de “dor do crescimento”, não existe nenhuma associação entre esta dor nas
pernas com o crescimento. Recebeu este nome porque quando foi descrita pela primeira vez, o
autor acreditava que possuía esta relação. Na verdade, até o momento, não sabemos quais as
verdadeiras causas desta dor. Várias hipóteses foram levantadas, mas nenhuma delas foi
confirmada. Sabemos que ocorrem na infância, habitualmente limitada até os 12 a 14 anos, e que
podem persistir mesmo após a fase de crescimento. E, principalmente, é benigno, o que quer
dizer que não é causado por nenhuma doença grave e não levará a nenhuma sequela grave.
Estas dores são caracterizadas por iniciarem entre 3 a 12 anos de vida, habitualmente alguém na
família (pai, mãe, tios, etc) também já sofriam das mesmas dores. Elas ocorrem em episódios,
isto é, nem todas as noites e podem variar de pequenas sensações de peso até dores intensas.
Estas dores não possuem uma localização definida, assim, frequentemente, a criança não
consegue apontar o local da dor e somente queixa-se de “dor na perna”. Alguns trabalhos
sugerem que estas dores são mais frequentes em dias de maior atividade da criança, dias frios e
que podem exacerbar por fatores psicológicos.
O diagnóstico é clínico, isto é, ao examinar o paciente. Não existe nenhum exame laboratorial ou
de imagem que irá definir as dores de crescimento. Na verdade, esta é uma das características
da dor do crescimento onde não se encontra nenhuma alteração física ou laboratorial.
Estas dores aliviam ao realizar “massagens” nestas pernas e, algumas vezes, com analgésicos
comuns como paracetamol. O mais importante é que não se observam alterações nas pernas e
na manhã seguinte não existem mais dores e não atrapalham as atividades diárias destas
crianças. Apesar de evolução benigna e não ter sinais de doenças, os pais devem estar cientes
que esta dor é real, isto é, não é “psicológica” e que a criança precisa de assistência.
Mas, os pais devem ficar atentos em algumas características que podem sugerir que exista
alguma doença mais grave. Os sinais de gravidade são:
1- A dor persiste no dia seguinte e atrapalha as atividades diárias da criança;
2- Febre;
3- Vermelhidão ou inchaço nas pernas ou articulações;
4- Dores nas articulações (joelhos, tornozelos);
5- Associado a algum trauma.
6- Perda de peso ou “mal estar”.
Nestas situações, os pais devem levar suas crianças ao pediatra. Na verdade, a consulta ao
pediatra deve ocorrer mesmo se os pais tiverem dúvidas se está tudo bem.

Autor: Zuleid Dantas Linhares Mattar
Fonte do artigo:Pediatra Online (www.pediatraonline.com.br)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Separação dos pais: como falar e lidar? Até pouco tempo, as crianças apresentavam os medos comuns da infância: medo do escuro, de barulh...