Desenvolvimento da fala através da música e da literatura
Nada é mais encantador e gratificante do que perceber que seu filho está se desenvolvendo.
Cada aprendizagem nova, por menor que seja sempre traz alegria para os pais, que ansiosos,
esperam por cada nova resposta aos estímulos oferecidos. Um dos momentos mais esperados
do desenvolvimento da criança é a fala, pois desta forma ela pode comunicar seus pensamentos
e emoções.
Pesquisas e estudos científicos nos mostram que crianças que crescem em ambientes ricos em
estímulos levam o cérebro a se desenvolver mais rapidamente. O cérebro é vulnerável a
influências externas e atividades estimulantes podem produzir mudanças em sua estrutura.
Segundo estes estudos, a experiência modifica o cérebro. Portanto o adulto tem a função de ser
um facilitador de experiências.
Obviamente, cada criança tem seu tempo e desenvolvimento próprio, e temos que respeitar essa
lei da natureza. Os pais devem estar atento ás etapas normais de desenvolvimento, mas de modo
geral, as primeiras palavras surgem entre o 10º e 15º mês. Depois disso, o vocabulário cresce
muito rápido. Cada etapa do desenvolvimento da oralidade está interligada, portanto, se perceber
que seu filho completou seu primeiro aniversário e não produz balbucios (repetições de sílabas),
procure ajuda profissional o mais rápido possível, pois nesta fase, é muito mais fácil intervir e
ajudar a criança, pois a plasticidade cerebral é muito intensa (principalmente nos primeiros três
anos de vida).
Um aspecto importante que devemos saber, é que para desenvolver a linguagem oral, a criança
precisa ter um motivo e a intenção de se comunicar. Logo, ela precisa de pessoas para interagir.
O adulto precisa conhecer a criança o bastante para saber assuntos de seu interesse, e a partir
destas constatações, criar situações que motivem a criança em desejar responder e dialogar.
Uma das ferramentas mais poderosas para desenvolver a fala, é sem dúvida a música. As
crianças geralmente sentem muito prazer com a música, seja cantando, ouvindo, dançando,
tocando instrumentos musicais. Através das canções, a criança melhora a pronúncia e sua
percepção auditiva, tanto para escutar como para diferenciar sons, o que auxiliará o
desenvolvimento da oralidade.
Estratégias práticas
Podemos utilizar a música em casa, para estimular o bebê a falar e isso pode começar bem cedo.
No final do primeiro mês de vida, o bebê já começa a vocalizar (fazer barulhinhos e sons com a
voz). Você pode interagir com ele conversando, cantando e usando sua voz para acalmá-lo
quando ele estiver agitado.
Que tal ensinar para seu filho uma canção que foi significativa na sua infância?
Você pode começar a ensiná-lo segurando suas mãozinhas, cantando, balançando seus
braçinhos de acordo com o pulso da canção. Depois de algumas vezes, inicie, mas pare em
algum momento, dando oportunidade para que ele continue; favorecendo assim, o aumento de
seu vocabulário.
Não se esqueça que a canção deve ser curta e com temas do universo infantil. Acima de tudo,
respeite o tempo da criança, se ela não corresponder às expectativas. Tudo leva tempo, inclusive
o início da linguagem falada. O bebê precisa ouvir vozes de pessoas que se comuniquem com ele
e que o tratem com amor, respeito e carinho para desenvolver a fala de forma natural.
Por volta de 8 meses, procure fazer sons do corpo para que ele observe. Enquanto troca sua
fralda, você pode cantar, brincar de estalar a língua e outros sons da boca. Toque CDs com
diferentes estilos musicais e perceba qual o estimula mais. Você pode também apresentar
chocalhos, tamborzinhos para que ele explore e toque acompanhando uma canção. Nesta idade,
aulas de musicalização infantil farão toda a diferença no desenvolvimento do seu filho, pois um
professor de música irá preparar atividades musicais variadas de acordo com a faixa etária e
oferecerá uma vivência prazerosa com as palavras através da música. Geralmente essas aulas
são em grupo e um adulto pode participar. Muitos pais que participam das aulas, se sentem mais
confiantes para interagirem com seus filhos em casa, pois aprendem formas mais interessantes
para apresentarem uma canção, brincarem e contarem uma história, por exemplo. Através das
brincadeiras, percebemos os interesses individuais da criança e seu nível cognitivo.
É importante salientar que o desenvolvimento da linguagem está ligado ao pensamento.
Conforme a criança vai crescendo e se desenvolvendo, ela vai criando a capacidade de
diferenciar-se dos outros e dos objetos em geral. Isso é muito importante, pois ela terá
ferramentas cognitivas para que queira interagir de forma intencional. Ela então irá dirigir
comportamentos intencionais a outras pessoas e imitará tudo o que lhe chama a atenção. Fique
atento ás vocalizações do bebê e imite, variando ligeiramente as sílabas que ele balbucia,
fazendo sons mais longos e mais curtos. Continue cantando, mas agora faça os gestos das
canções, que devem ser simples e curtas. Os gestos estabelecem a comunicação entre o som e
o movimento. Algumas canções que podem ser utilizadas, são as canções folclóricas como: “A
janelinha fecha quando está chovendo”, “Fui morar numa casinha”, “Borboletinha”, etc.
Represente para ela certas ações que são descritas nas músicas e motive-a a imitar. Quando a
criança é capaz de imitar o adulto, ela demonstra um grande desenvolvimento, tanto em sua
memória, quanto na sua expressividade que são itens indispensáveis para o desenvolvimento da
linguagem.
Conte histórias de forma curta e objetiva, com temas do universo do bebê e retrate o ambiente
sonoro da cena. Você pode imitar os sons dos personagens, cantar uma música que represente a
cena, representar cada personagem através de um instrumento musical, enfim, use sua
criatividade! De forma gradual, através destas atividades, serão estabelecidas as conexões
cerebrais que relacionam as palavras com o objeto, desenvolvendo a imaginação, memória, além
de introduzi-lo no convívio social.
Outro marco importante, e que mostra o amadurecimento da criança pequena, é o conceito de
permanência dos objetos. Quando um objeto desaparece de seu campo de visão, o bebê vai
procurá-lo. Para ele agora, o mundo continua existindo independente de estarmos vendo as
coisas. Você pode estimular essa fase com atividades simples, como esconder um objeto sonoro
que o bebê demonstre interesse para que ele ache e procure. Invente brincadeiras de esconder,
pois o estimulará a fazer representações de imagens de certos acontecimentos. Um grande
progresso rumo à linguagem verbal.
A partir do primeiro ano, principalmente, o bebê observa e não só repete no momento que a
ação é feita, como é capaz de representar mentalmente as ações de modelos. Parlendas que
favoreçam a coordenação da palavra falada e dos gestos como “Janela, janelinha, porta e
campainha”, faz com que o bebê se envolva com a brincadeira e imite.
Nesta fase, compre livros de figuras e palavras, leia poemas e cante para seu filho. Ele
certamente irá memorizar e repetir em outros momentos, exercitando sua oralidade com
naturalidade. Você pode fazer perguntas durante a leitura, instigando respostas. Por volta dos 2
anos, a criança pode também contar sua própria história através de ilustrações. Caso ela
pronuncie de forma errada, evite confrontá-la; apenas repita a frase inteira corretamente, para
que ela escute a forma correta de pronunciar o que ela elaborou em sua mente. O importante é
que ela sinta liberdade para fazer perguntas e encontrar respostas. Festeje suas respostas
sempre.
Atividades utilizando bonecos que falam e cantam com a criança variando timbres da voz são
muito interessantes, pois atraem a atenção e o interesse pela interação verbal.
Massagens nomeando a parte do corpo, utilizando música, também oferecem estimulo, um tempo
de qualidade e afeto. Existem hoje no mercado, músicas específicas para o estímulo do bebê em
suas várias fases e para cada rotina, como para hora de vestir, de dormir, de comer. São canções
realizadas por profissionais de música que lidam com essa faixa etária diariamente e conhecem
suas reais necessidades.
Com o tempo (por volta de 3 anos e até um pouco antes), surge o interesse pelas brincadeiras
de faz-de–conta, a capacidade de representar coisas ou situações não presentes. A criança
naturalmente começa a imitar ações rotineiras, depois ações de pessoas próximas, e através
destas brincadeiras, os pequenos expõem seus sentimentos, frustrações e vontades. É
interessante notar como a evolução da brincadeira e da linguagem caminham juntas. Uma auxilia
no desenvolvimento da outra.
As famílias podem trazer bonecos, objetos, elementos diversos para dramatizar histórias como a
“Linda Rosa Juvenil”, por exemplo. Depois, a criança pode dramatizar com os fantoches para os
adultos. Dramatizando, a criança se expressa com a linguagem verbal, gestual e facial, tornando
a atividade mais complexa e desafiadora, além de iniciar a aprendizagem de normas sociais, pois
é necessário esperar sua vez para interagir conforme a história vai acontecendo. Enfim, existem
muitas possibilidades para estimular a oralidade do seu filho de uma forma divertida. É necessário
porém, disposição, muita pesquisa, paciência e organização para o preparo das atividades.
A infância passa muito rápido e acompanhar o desenvolvimento de nossos filhos, é maravilhoso!
Brincando, se divertindo e aprendendo, seu filho perceberá como é bom estar ao seu lado, e
assim, fortes laços familiares serão criados e fortalecidos em meio a um ambiente de afeto,
deixando memórias positivas e preciosas entre vocês. E isso definitivamente não tem preço!
Autor: Zuleid Dantas Linhares Mattar
Fonte do artigo:Pediatra Online (www.pediatraonline.com.br)

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